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Procurei. Queria jogar aqui uma frase, poesia, trecho qualquer que encontrasse solto por aí do Caio ou Clarice ou Foucault ou Nietzsche (puta estudada adora citar Nítchi nas conversas pra se diferenciar da ‘ralé’). Fingir profundidade no raso que há em mim. Pose de intelectual - “nossa, uma puta que lê!”
Achei é nada. Algo sobre aceitar os “nãos” que a vida me traz embalados em lindo papel colorido. Algo sobre a vida que foi - passado distante, presente sujo. Qualquer coisa que disfarçasse a falta de sentido.
Nada.
Só uma constatação antiga sobre como, a cada passo dado nos tornamos cada vez mais estrangeiros em nossa terra mesmo. 
A estrangeira. Olha como se fosse daqui mas já não é. Nunca foi. É de lugar nenhum. De passagem, guarda cada detalhe. Não conta. Guarda. Menos por egoísmo, mais por saber do desinteresse alheio em tudo o que vê e faz questão de despir de glamour. Glamour não há. Corpos nus rolando em camas nem sempre tão limpas.
De quatro, não há jóia ou Rolex ou status ou saldo bancário que te salve da deselegância.

Procurei. Queria jogar aqui uma frase, poesia, trecho qualquer que encontrasse solto por aí do Caio ou Clarice ou Foucault ou Nietzsche (puta estudada adora citar Nítchi nas conversas pra se diferenciar da ‘ralé’). Fingir profundidade no raso que há em mim. Pose de intelectual - “nossa, uma puta que lê!”
Achei é nada. Algo sobre aceitar os “nãos” que a vida me traz embalados em lindo papel colorido. Algo sobre a vida que foi - passado distante, presente sujo. Qualquer coisa que disfarçasse a falta de sentido.
Nada.
Só uma constatação antiga sobre como, a cada passo dado nos tornamos cada vez mais estrangeiros em nossa terra mesmo.
A estrangeira. Olha como se fosse daqui mas já não é. Nunca foi. É de lugar nenhum. De passagem, guarda cada detalhe. Não conta. Guarda. Menos por egoísmo, mais por saber do desinteresse alheio em tudo o que vê e faz questão de despir de glamour. Glamour não há. Corpos nus rolando em camas nem sempre tão limpas.
De quatro, não há jóia ou Rolex ou status ou saldo bancário que te salve da deselegância.

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